terça-feira, 27 de julho de 2010

"Sei que a redenção, se possível, é irrelevante"



Leninegrado, 1942. O cerco das tropas de Hitler vai obrigar os homens e as mulheres da cidade a compromissos e sacrifícios para além dos limites do admissível. No Instituto Botânico, Alena e outros cientistas juram protecção às sementes raras, mesmo na iminência da grande fome. Mas o marido de Alena, o nosso cuidadoso narrador, não está tão seguro assim... E quem consegue responder com segurança à pergunta: o amor e a honra podem mais do que a fome?

Escrito num estilo seco mas pleno de atenção aos detalhes psicológicos, FOME de Elise Blackwell propõe-nos uma história de um momento dramático na vida de pessoas corajosas e estóicas contada por alguém que não soube sê-lo. Ou melhor, por alguém a quem a guerra permitiu ver a natureza implacável da existência humana, e que decidiu agir em consonância:

"Mesmo agora, em dias frios, quando o meu estômago rosna, digo a mim próprio que ganhei direito à minha sobrevivên- cia. Mas em noites quentes, quando acordo encharcado em suor, sei que a redenção, se possível, é irrelevante. Um homem é governado por apetite e remorso, e eu engoli o que pude."


Fome foi elogiado por J.M. Coetzee, o Prémio Nobel da Literatura, pela sua originalidade.

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