"Coup sur coup, j'ai publié le Journal de Jeanne et Cataclysme sexuel, écrit par une jeune Elisabeth Chandet. C'était une petite personne a nattes, de seize ou dix-sept ans, le visage serein et angélique, un marquis de Sade en minijupe. Une imagination aussi débordante que celle de Mario [Mercier], mais avec une utilisation mieux surveillée de la syntaxe.
J'ai vendu les droits de Cataclysme sexuel a un éditeur portugais, après la révolution du 25 avril. Celui-ci m'avait demandé de changer le nom de l'auteur, avec la permission de l'intéressée, bien entendu. Nous acquiesçons a son désir. L'éditeur nous envoie nos exemplaires de presse. Stupéfaction, hilarité! Le livre portait 'Isidora Ducasse, comtesse de Lautréamont'".
(Eric Losfeld, Endetté comme une mulle ou la passion d'éditer, Belfond, Paris, 1979, p. 138)
P.S.: Alguém sabe de que editor e edição se tratou?
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
A nossa mensagem de Natal e Ano Novo, trazida pelo Sr. Eric Losfeld

Face ao belo ano que se anuncia, fazemos nossos o gesto e parte das palavras do Sr. Losfeld (endividados ainda não, graças aos santinhos). O manguito sempre foi a nossa resposta instintiva à crise (a tudo, no fundo), e, pela amostra desta capa da autobiografia do editor "marginal" par excellence, terá sido também cultivado em França (e na Bélgica, terra natal do "pai" de Barbarella ). E este é quase tão bom como o mais famoso manguito português do século XX (note-se apenas a diferente técnica no uso do braço esquerdo). Aguentem-se que a coisa está dura. E vemo-nos em 2011.
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Luiz Pacheco
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Três editores com eles (os livros) no sítio

Três recomendações a quem achar que o Verão é uma boa altura para ir ao baú procurar livros mais ou menos raros a preço aceitável. No caso, livros sobre editores. Mais rigorosamente, uma revista e dois livros que evocam as carreiras de três editores franceses dos anos 50 e 60 do século passado, que, juntos, devem ter somado o maior número de acusações e casos célebres em tribunais franceses em dois séculos, e cujos catálogos reunidos são a pedra de toque de uma certa ideia de editar "à margem" com qualidade.
Do fundo do baú chega o número 4 da revista Olympia (1963), publicada no auge da actividade da editora do mesmo nome dirigida por Maurice Girodias. Para quem conhece os livros da Olympia e a sua aversão "estratégica" à imagem (já tinham problemas que chegassem com os textos publicados...), a revista é uma bela surpresa em termos gráficos, a começar pela excelente capa. Publicada integralmente em inglês, tal como todos os livros da Olympia Press, este número contém longos excertos de obras publicadas pela editora, com destaque para o excerto de The ticket that exploded de William Burroughs, autor descoberto por Girodias, poucos anos depois de lançar Lolita de Nabokov. (Sobre este editor e a sua Olympia, ir aqui).
Também não muito fácil de encontrar mas de preço acessível é La legende du Terrain Vague, publicada por Le Dernier Terrain Vague em 1977. Eric Losfeld tinha lançado nesse ano a sua autobiografia, apropriadamente entitulada Endetté comme une mule, livro hoje muito difícil de encontrar, mas este volume serve como introdução à actividade de um dos mais incómodos editores da década de 1960, frequentador assíduo dos tribunais, que acabaram por levá-lo à ruína. Faltando-lhe a "voz" de Losfeld, que morreria dois anos depois, e minado por uma excessiva profusão de depoimentos de valor variável, o livro é, ainda assim, testemunha de uma carreira notável na produção de livros, em que a qualidade visual estava ao mesmo nível dos textos, quando não se lhes sobrepunha muitas vezes, uma marca das edições do Terrain Vague e depois das que ostentavam o nome do próprio editor ao longo dos anos e efeito da sua longa convivência com os surrealistas.
Mais acessível, e de uma importância vital para se conhecer o mundo da edição em França no pós-Guerra, é La traversée du livre (2004, ed. Viviane Hamy), a autobiografia de Jean-Jacques Pauvert, o homem cujas edições d' A História de O e do Marquês de Sade fizeram dele o "inimigo público número um" para os tribunais franceses durante uns anos. Repleto de informações técnicas preciosas, de excertos de documentos, de "retratos" notáveis de escritores e artistas (e de outros editores, nomeadamente Girodias e Losfeld, com retratos implacáveis e inesquecíveis) e muito bem ilustrado, este é um livro modelo para quem quer aprender com a vida e a experiência de um editor. A marca de "sobrevivente" de que Pauvert é um símbolo (sobretudo se comparado com esses gloriosos "perdedores" que foram Losfeld e Girodias) é um dos valores acrescidos a este texto.
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