Pelas razões apontadas aqui, aqui e aqui, continuamos com pouca vontade de concorrer ao Prémio LER/Booktailors, pelo que, pelo segundo ano consecutivo, não o faremos. Ainda que a "estranha" presença do director da Quetzal à cabeça do júri tenha sido corrigida (e acrescentados outros nomes, um dos quais mal mencionado no regulamento: "Fernando Guedes" em vez de Francisco Guedes), o que atrás se escreveu sobre o que achamos do Prémio mantém-se.
(PM)
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sexta-feira, 17 de setembro de 2010
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Como prometido
Eis aqui, como prometido, as minhas reflexões sobre a segunda edição dos Prémios de Edição LER/Booktailors, já tendo em conta os resultados finais anunciados na passada 6.ª-feira na Póvoa de Varzim
(PM)
(PM)
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Prémio LER / Booktailors
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Depoimento de Nuno Seabra Lopes (Booktailors)
Como estas coisas se perdem um pouco na preguiça de ir ler o conteúdo das caixas, aqui se transcreve o comentário enviado por Nuno Seabra Lopes dos Booktailors em resposta ao anterior post deste blogue, resposta essa que agradecemos e à qual demos já devido feedback na mesma caixa.
"Caro Pedro,
A única coisa que te posso dizer, e daí só a minha palavra te servirá, é que o Francisco José Viegas pediu dispensa de votação na edição deste ano, assim como em todos os casos em que pudesse haver incompatibilidades houve pedidos de dispensa de votação nas respectivas categorias.
Relativamente à proposta de livros, as mesmas são feitas, exclusivamente, pelas editoras, e nesse caso todos os editores são livres de concorrer, o que pessoalmente agradeço.
Relativamente ao voto, posso apenas fazer as contas e dizer-lhe que o Júri, para a votação final, tem 40% dos votos, que divididos pelos 18 membros, dá um total de 2,22% por pessoa. Mesmo que metade do júri não votasse (o que não acontece), cada pessoa teria 4,44% dos votos - o que não permite dar a vitória a ninguém, apesar de ser um contributo dado de sua consciência.
Relativamente à selecção das obras para long list, o poder é maior, mas nunca chega acima dos 6% e apenas permite reduzir a selecção inicial de livros elegíveis.
Devo também recordar que todos os votos são votos de consciência, têm a ver com as opções estéticas de cada um, algo sempre controverso e pessoal - podemos discordar deles, mas nada podemos fazer em relação a isso.
Relativamente aos livreiros, temos também pena que os canais de venda não atribuam a importância que nós gostaríamos, mas não podemos obrigar ninguém a nada, tentamos apenas incentivar para que isso aconteça.
Relativamente ao afastamento do leitor, a revista LER é mensal e a votação pela revista não se torna possível, infelizmente. Também temos tentado outros caminhos, mas estes prémios não são financiados por ninguém e é a Booktailors que suporta todas as despesas, o que não nos permite pensar em outros meios.
Que podíamos fazer melhor, claro que sim, sempre. Mas organizar um prémio destes é já um trabalho tremendo, e é também um processo sempre a melhorar.
Pode parecer apenas «langue du bois», mas acredite que fazemos o que podemos com a nossa dimensão e capacidade. Faço todo o trabalho pessoalmente, a custo do meu tempo, quando podia estar a dedicar-me a algo que pudesse ajudar a pagar a renda - e como bem disseram, não é pela projecção que os prémios têm que saímos beneficiados.
Se faço isto é porque os prémios são um sonho que tenho desde 1999. Julgo que são uma coisa positiva e aceito as falhas, mas sem também que todos têm falhas e eu, particularmente, não me considero fora da normalidade para conseguir transcender e fazer uns prémios isentos de crítica. Apesar disso, de ano para ano, tento aprender e melhorar, e para o ano continuarei nesse percurso.
Tal como no ano passado te disse, aprecio a crítica e tenho usado o que posso para melhorar estes prémios. Com base no que apontas tentarei melhorar um pouco mais (a sessão de entrega na Póvoa de Varzim é um sinal disso, pois descentralizamos e vamos apresentar os vencedores junto do público que se deslocar ao auditório municipal, habitualmente repleto pela população local, como deves saber).
Gostaria, inclusive, de conversar contigo, para discutir as tuas ideias de um modo mais concreto, pois és dos raros que observar atentamente o desenrolar destes prémios e tens ideias com que possas contribuir.
Nuno Seabra Lopes"
"Caro Pedro,
A única coisa que te posso dizer, e daí só a minha palavra te servirá, é que o Francisco José Viegas pediu dispensa de votação na edição deste ano, assim como em todos os casos em que pudesse haver incompatibilidades houve pedidos de dispensa de votação nas respectivas categorias.
Relativamente à proposta de livros, as mesmas são feitas, exclusivamente, pelas editoras, e nesse caso todos os editores são livres de concorrer, o que pessoalmente agradeço.
Relativamente ao voto, posso apenas fazer as contas e dizer-lhe que o Júri, para a votação final, tem 40% dos votos, que divididos pelos 18 membros, dá um total de 2,22% por pessoa. Mesmo que metade do júri não votasse (o que não acontece), cada pessoa teria 4,44% dos votos - o que não permite dar a vitória a ninguém, apesar de ser um contributo dado de sua consciência.
Relativamente à selecção das obras para long list, o poder é maior, mas nunca chega acima dos 6% e apenas permite reduzir a selecção inicial de livros elegíveis.
Devo também recordar que todos os votos são votos de consciência, têm a ver com as opções estéticas de cada um, algo sempre controverso e pessoal - podemos discordar deles, mas nada podemos fazer em relação a isso.
Relativamente aos livreiros, temos também pena que os canais de venda não atribuam a importância que nós gostaríamos, mas não podemos obrigar ninguém a nada, tentamos apenas incentivar para que isso aconteça.
Relativamente ao afastamento do leitor, a revista LER é mensal e a votação pela revista não se torna possível, infelizmente. Também temos tentado outros caminhos, mas estes prémios não são financiados por ninguém e é a Booktailors que suporta todas as despesas, o que não nos permite pensar em outros meios.
Que podíamos fazer melhor, claro que sim, sempre. Mas organizar um prémio destes é já um trabalho tremendo, e é também um processo sempre a melhorar.
Pode parecer apenas «langue du bois», mas acredite que fazemos o que podemos com a nossa dimensão e capacidade. Faço todo o trabalho pessoalmente, a custo do meu tempo, quando podia estar a dedicar-me a algo que pudesse ajudar a pagar a renda - e como bem disseram, não é pela projecção que os prémios têm que saímos beneficiados.
Se faço isto é porque os prémios são um sonho que tenho desde 1999. Julgo que são uma coisa positiva e aceito as falhas, mas sem também que todos têm falhas e eu, particularmente, não me considero fora da normalidade para conseguir transcender e fazer uns prémios isentos de crítica. Apesar disso, de ano para ano, tento aprender e melhorar, e para o ano continuarei nesse percurso.
Tal como no ano passado te disse, aprecio a crítica e tenho usado o que posso para melhorar estes prémios. Com base no que apontas tentarei melhorar um pouco mais (a sessão de entrega na Póvoa de Varzim é um sinal disso, pois descentralizamos e vamos apresentar os vencedores junto do público que se deslocar ao auditório municipal, habitualmente repleto pela população local, como deves saber).
Gostaria, inclusive, de conversar contigo, para discutir as tuas ideias de um modo mais concreto, pois és dos raros que observar atentamente o desenrolar destes prémios e tens ideias com que possas contribuir.
Nuno Seabra Lopes"
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Nuno Seabra Lopes,
Prémio LER / Booktailors
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Um Prémio a caminho da opacidade
Sobre a primeira edição dos Prémios de Edição LER/Booktailors publiquei já umas reflexões aqui, há quase um ano. Desta feita, como mero observador não-concorrente, posso permitir-me um pouco mais de acutilância nas reflexões sobre a segunda edição dos mesmos, que publicarei no meu próprio blogue.
O gosto que fica destas duas primeiras amostras é o de uma gradual desilusão e de uma oportunidade perdida, particularmente na articulação com as livrarias (local de contacto entre leitores e livros ainda preponderante no nosso país): quem desejar medir a importância dos Prémios através da visita às livrarias mais importantes, mesmo as que ostentam nos seus blogues o selo de "apoio" aos Prémios, fica com a sensação de um não-evento. Nem exemplares dos livros a concurso expostos, nem possibilidade de votação in loco, nem entusiasmo ou conhecimento por parte dos livreiros. Nada.
Reduzindo o blogue "oficial" dos Prémios a uma mera mesa de voto (e única mesa, repito: nem na LER se pode ver as capas dos livros na corrida e votar), e fechando o seu próprio blogue à possibilidade de discussão aberta e dinâmica sobre esta iniciativa – num receio do contacto com a vox populi que me leva a perguntar porque mantêm as caixas de comentários activas –, os Booktailors, certamente de forma involuntária, concorrem para esta opacidade e pseudo-especialização de um Prémio que devia servir de pretexto à comunhão e participação de todos os amantes de livros, situação que não melhora, pelo contrário, com a "institucionalização" do evento pela ligação com a DGLB e o Correntes d'Escritas.
Mais propenso ainda a suspeitas de opacidade, e bem menos inocente, me parece o facto de membros do júri, perfeitamente designados no regulamento (a saber, Francisco José Viegas, como director da revista LER, co-promotora, e o atelier de design RPVM, através do seus dois sócios, empresa que trabalha em conjunto com os Booktailors), estarem na corrida directa e final em, pelo menos, uma categoria (com uma capa de um livro publicado pela Quetzal, editora dirigida por... Francisco José Viegas).
Mas, como escrevi acima, a reflexão fica para mais tarde.
(PM)
O gosto que fica destas duas primeiras amostras é o de uma gradual desilusão e de uma oportunidade perdida, particularmente na articulação com as livrarias (local de contacto entre leitores e livros ainda preponderante no nosso país): quem desejar medir a importância dos Prémios através da visita às livrarias mais importantes, mesmo as que ostentam nos seus blogues o selo de "apoio" aos Prémios, fica com a sensação de um não-evento. Nem exemplares dos livros a concurso expostos, nem possibilidade de votação in loco, nem entusiasmo ou conhecimento por parte dos livreiros. Nada.
Reduzindo o blogue "oficial" dos Prémios a uma mera mesa de voto (e única mesa, repito: nem na LER se pode ver as capas dos livros na corrida e votar), e fechando o seu próprio blogue à possibilidade de discussão aberta e dinâmica sobre esta iniciativa – num receio do contacto com a vox populi que me leva a perguntar porque mantêm as caixas de comentários activas –, os Booktailors, certamente de forma involuntária, concorrem para esta opacidade e pseudo-especialização de um Prémio que devia servir de pretexto à comunhão e participação de todos os amantes de livros, situação que não melhora, pelo contrário, com a "institucionalização" do evento pela ligação com a DGLB e o Correntes d'Escritas.
Mais propenso ainda a suspeitas de opacidade, e bem menos inocente, me parece o facto de membros do júri, perfeitamente designados no regulamento (a saber, Francisco José Viegas, como director da revista LER, co-promotora, e o atelier de design RPVM, através do seus dois sócios, empresa que trabalha em conjunto com os Booktailors), estarem na corrida directa e final em, pelo menos, uma categoria (com uma capa de um livro publicado pela Quetzal, editora dirigida por... Francisco José Viegas).
Mas, como escrevi acima, a reflexão fica para mais tarde.
(PM)
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Prémio LER / Booktailors
terça-feira, 24 de março de 2009
Reflexões sobre um Prémio
Não será despiciendo, antes da reflexão propriamente dita, começar por afirmar que a criação dos Prémios de Edição LER / Booktailors, no ano passado, se reveste de uma inegável importância, quanto mais não seja pela pura e simples ausência de algo remotamente semelhante até aí. A imprensa, que se desunha nas últimas 2 semanas de cada ano a escolher os "melhores" livros do ano a findar, jamais ocupa uma linha sequer com o processo que medeia entre a escrita e o contacto com o público leitor do livro já produzido, com a excepção dos erros da revisão ou da tradução. Tendo, nestes dois últimos anos, o espaço nos jornais e revistas dedicado à exegese da produção editorial (dos que ainda o têm) ficado substancialmente reduzido, é de esperar que este estado de coisas permaneça e se agrave. Neste contexto, a existência de qualquer coisa que procure dignificar e premiar os artesãos do livro é positiva, seja qual for o ângulo pelo qual se a aborde.
Mas vamos a esses ângulos. Muito simplesmente: creio, por observação feita ao longo da segunda metade de 2008 junto das livrarias, indagando directamente os livreiros sobre os Prémios e sobre a articulação destes com a agenda daqueles, que, se a intenção dos seus organizadores era transpor os limites estritamente mediáticos do evento (a LER é uma revista e os Booktailors são uma empresa que se faz representar através de um blogue) e levá-lo junto da comunidade mais alargada (e vital) dos compradores de livros e dos que os vendem, dever-se-á concluir que algo terá falhado nesta primeira edição dos Prémios. Até Dezembro de 2008, posso contar uns 2 livreiros (em lojas independentes e de cadeias) que tinham uma vaga ideia de "um Prémio de edição", mas de resto era a completa ignorância sobre o assunto, comprovada na ausência de quaisquer indicações gráficas no local (digamos, um equivalente impresso dos gifs que alguns blogues ostentaram apoiando os Prémios). Este panorama manteve-se após o anúncio das long lists. Sei que a intenção seria apenas envolver as livrarias por altura do anúncio dos prémios. Ora está aí precisamente a base do meu argumento: porque não envolvê-las já por altura das long lists, expondo numa área especial todos os livros listados, criando uma sinergia com os pontos de venda diária dos livros e, sobretudo, alargando a base de votos (através de "boletins de voto" ou folhetos com as capas envolvidas e as respectivas memórias descritivas enviadas pelos editores)? Trata-se, afinal, de um prémio com o apoio da revista LER, apoiada por seu lado pela Fundação Círculo de Leitores, entidades para as quais a divulgação activa do mesmo nos pontos de venda de livros seria algo perfeitamente (e financeiramente) exequível.
Sei que a intenção seria apenas envolver as livrarias por altura do anúncio dos prémios. Ora está aí precisamente a base do meu argumento: porque não envolvê-las já por altura das long lists, expondo numa área especial todos os livros listados, criando uma sinergia com os pontos de venda diária dos livros e, sobretudo, alargando a base de votos?
Não me lembro igualmente de uma secção especial ou um destacável na LER por altura das long lists, o que terá sido outro erro, limitando a um único local (um blogue) o acesso à informação sobre o Prémio e ao voto. Também o blogue pecou pela falta de informação sobre as diversas capas a concurso: na ficha de inscrição era pedida uma curta memória descritiva, que infelizmente não foi usada na divulgação dos projectos a concurso, privando os potenciais votantes de informação útil.
Um bom exemplo para edições futuras será a simplicidade com que Andrew Howard montou aquele que foi o maior acontecimento de 2008 no que toca ao design de livros em Portugal, a exposição GATEWAYS e a edição do seu catálogo. Funcionando também através de fichas de inscrição, a importância, no produto final, foi dada ao testemunho do designer através da memória descritiva, tanto na exposição como no catálogo: desta forma se dá deveras a palavra a quem faz e produz os livros. Um dos problemas da divulgação de eventos como a Gateways ou os Prémios LER/Booktailors é a absoluta iliteracia da nossa imprensa "especializada" no que toca ao design gráfico e/ou editorial. Nem um jornal ou revista possui uma coluna, mais ou menos regular, sobre o design dos livros ou das capas, usando, contudo, a reprodução destas de forma intensiva: na prova mais visível da existência de um livro, a capa, opera-se o milagre da invisibilidade quando se lê os textos que ladeiam a sua reprodução. Efeito da influência francófona há umas décadas (os franceses eram lendariamente pouco dados à importância das capas – apesar de um dos mais revolucionários designers de livros de sempre, Robert Massin, ser francês), essa iliteracia do design parece agora mais difícil de explicar numa imprensa que lê, se inspira e cita os jornais e revistas inglesas e americanas de referência, dada a perfeita consciência que ingleses e americanos sempre tiveram da importância do design dos livros. (Esse estado de coisas fez com que, ironicamente mas sem surpresas, a imprensa portuguesa quase ignorasse a exposição e, sobretudo, a excelente edição do Gateways, o unico livro produzido e publicado em Portugal no ano passado a receber um prémio do Type Directors Club de Nova Iorque).
Nem um jornal ou revista possui uma coluna, mais ou menos regular, sobre o design dos livros ou das capas, usando, contudo, a reprodução destas de forma intensiva: na prova mais visível da existência de um livro, a capa, opera-se o milagre da invisibilidade quando se lê os textos que ladeiam a sua reprodução.
Estas palavras partem de quem participou neste processo e, participando como editor e designer de um micro projecto, não esperava sequer ter 1 capa seleccionada, quanto mais 4, pelo que não são movidas por acinte, despeito ou ressabiamento: são apenas uma forma de lançar a discussão entre a comunidade. A produção gráfica de livros em Portugal é um trabalho ingrato (sujeito, quase sempre, a "propostas" em competição), sujeito a várias violações dos mais elementares princípios da ética e do direito do trabalho (escrevo com conhecimento de causa), anónimo para além da uma linha na ficha técnica, mal pago (o império do mais baixo orçamento) e totalmente ignorado por quem escreve sobre a edição, pelo que eventos como estes Prémios serão a única oportunidade presente de a nobilitar e lhe conceder um discurso próprio e articulado. Esperemos que o façam na sua segunda edição, que as livrarias sejam mais envolvidas desde o arranque (e, com elas, o público leitor que as frequenta) e que a imprensa dilua o transe autoral em que ainda vive e comece a conceber uma edição como um fruto de vários "autores", entre os quais o designer.
(PM)
Addendum: E, pegando no exemplo do catálogo Gateways, porque não pensar na edição anual de um pequeno volume com todos os projectos a concurso a partir das long lists, usando as memórias descritivas enviadas aquando da inscrição?
Mas vamos a esses ângulos. Muito simplesmente: creio, por observação feita ao longo da segunda metade de 2008 junto das livrarias, indagando directamente os livreiros sobre os Prémios e sobre a articulação destes com a agenda daqueles, que, se a intenção dos seus organizadores era transpor os limites estritamente mediáticos do evento (a LER é uma revista e os Booktailors são uma empresa que se faz representar através de um blogue) e levá-lo junto da comunidade mais alargada (e vital) dos compradores de livros e dos que os vendem, dever-se-á concluir que algo terá falhado nesta primeira edição dos Prémios. Até Dezembro de 2008, posso contar uns 2 livreiros (em lojas independentes e de cadeias) que tinham uma vaga ideia de "um Prémio de edição", mas de resto era a completa ignorância sobre o assunto, comprovada na ausência de quaisquer indicações gráficas no local (digamos, um equivalente impresso dos gifs que alguns blogues ostentaram apoiando os Prémios). Este panorama manteve-se após o anúncio das long lists. Sei que a intenção seria apenas envolver as livrarias por altura do anúncio dos prémios. Ora está aí precisamente a base do meu argumento: porque não envolvê-las já por altura das long lists, expondo numa área especial todos os livros listados, criando uma sinergia com os pontos de venda diária dos livros e, sobretudo, alargando a base de votos (através de "boletins de voto" ou folhetos com as capas envolvidas e as respectivas memórias descritivas enviadas pelos editores)? Trata-se, afinal, de um prémio com o apoio da revista LER, apoiada por seu lado pela Fundação Círculo de Leitores, entidades para as quais a divulgação activa do mesmo nos pontos de venda de livros seria algo perfeitamente (e financeiramente) exequível.
Sei que a intenção seria apenas envolver as livrarias por altura do anúncio dos prémios. Ora está aí precisamente a base do meu argumento: porque não envolvê-las já por altura das long lists, expondo numa área especial todos os livros listados, criando uma sinergia com os pontos de venda diária dos livros e, sobretudo, alargando a base de votos?
Não me lembro igualmente de uma secção especial ou um destacável na LER por altura das long lists, o que terá sido outro erro, limitando a um único local (um blogue) o acesso à informação sobre o Prémio e ao voto. Também o blogue pecou pela falta de informação sobre as diversas capas a concurso: na ficha de inscrição era pedida uma curta memória descritiva, que infelizmente não foi usada na divulgação dos projectos a concurso, privando os potenciais votantes de informação útil.
Um bom exemplo para edições futuras será a simplicidade com que Andrew Howard montou aquele que foi o maior acontecimento de 2008 no que toca ao design de livros em Portugal, a exposição GATEWAYS e a edição do seu catálogo. Funcionando também através de fichas de inscrição, a importância, no produto final, foi dada ao testemunho do designer através da memória descritiva, tanto na exposição como no catálogo: desta forma se dá deveras a palavra a quem faz e produz os livros. Um dos problemas da divulgação de eventos como a Gateways ou os Prémios LER/Booktailors é a absoluta iliteracia da nossa imprensa "especializada" no que toca ao design gráfico e/ou editorial. Nem um jornal ou revista possui uma coluna, mais ou menos regular, sobre o design dos livros ou das capas, usando, contudo, a reprodução destas de forma intensiva: na prova mais visível da existência de um livro, a capa, opera-se o milagre da invisibilidade quando se lê os textos que ladeiam a sua reprodução. Efeito da influência francófona há umas décadas (os franceses eram lendariamente pouco dados à importância das capas – apesar de um dos mais revolucionários designers de livros de sempre, Robert Massin, ser francês), essa iliteracia do design parece agora mais difícil de explicar numa imprensa que lê, se inspira e cita os jornais e revistas inglesas e americanas de referência, dada a perfeita consciência que ingleses e americanos sempre tiveram da importância do design dos livros. (Esse estado de coisas fez com que, ironicamente mas sem surpresas, a imprensa portuguesa quase ignorasse a exposição e, sobretudo, a excelente edição do Gateways, o unico livro produzido e publicado em Portugal no ano passado a receber um prémio do Type Directors Club de Nova Iorque).
Nem um jornal ou revista possui uma coluna, mais ou menos regular, sobre o design dos livros ou das capas, usando, contudo, a reprodução destas de forma intensiva: na prova mais visível da existência de um livro, a capa, opera-se o milagre da invisibilidade quando se lê os textos que ladeiam a sua reprodução.
Estas palavras partem de quem participou neste processo e, participando como editor e designer de um micro projecto, não esperava sequer ter 1 capa seleccionada, quanto mais 4, pelo que não são movidas por acinte, despeito ou ressabiamento: são apenas uma forma de lançar a discussão entre a comunidade. A produção gráfica de livros em Portugal é um trabalho ingrato (sujeito, quase sempre, a "propostas" em competição), sujeito a várias violações dos mais elementares princípios da ética e do direito do trabalho (escrevo com conhecimento de causa), anónimo para além da uma linha na ficha técnica, mal pago (o império do mais baixo orçamento) e totalmente ignorado por quem escreve sobre a edição, pelo que eventos como estes Prémios serão a única oportunidade presente de a nobilitar e lhe conceder um discurso próprio e articulado. Esperemos que o façam na sua segunda edição, que as livrarias sejam mais envolvidas desde o arranque (e, com elas, o público leitor que as frequenta) e que a imprensa dilua o transe autoral em que ainda vive e comece a conceber uma edição como um fruto de vários "autores", entre os quais o designer.
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Addendum: E, pegando no exemplo do catálogo Gateways, porque não pensar na edição anual de um pequeno volume com todos os projectos a concurso a partir das long lists, usando as memórias descritivas enviadas aquando da inscrição?
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segunda-feira, 16 de março de 2009
Selados

Esta capa parece ter caído no goto de algumas pessoas e, pronto, lá deu por si finalista dos Prémios LER / Booktailors numa das categorias a concurso (eram muitas). Pois obrigado a quem gostou, e esperemos que isto sirva para o que interessa: a procura do livro. Quando surgir tempo, serão escritas umas linhas sobre a capa aqui.

DO CÍRCULO DE VIENA À FILOSOFIA
ANALÍTICA CONTEMPORÂNEA
Coord. António Zilhão
14,00 12,32 €
Desconto de 12% (apenas em compra no nosso site ou blogue)

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