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terça-feira, 14 de dezembro de 2010
The tip of the tongue, taking a trip in three steps
Só em Portugal: a editora do Lolita de Nabokov é agora gerida por um especialista do "sector" de literatura... infanto-juvenil. Humbert Humbert deve estar a rir às gargalhadas no túmulo ficcional. Para ler e espantar aqui.
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segunda-feira, 5 de abril de 2010
Da (endémica) falta de memória

Desde que surgiu na "cena", a Leya agigantou-se. E, tal como em todos os seres afectados pelo gigantismo, o seu sistema nervoso central parece não ter acompanhado tão célere acréscimo de massa (em todos os sentidos da palavra...), revelando, aqui e ali, preocupantes sinais de disfunção. É no que toca à relação deste gigante com a memória que esses sinais são mais óbvios: destruição de livros antigos das suas próprias chancelas, descaracterização quando não omissão da tradição e história das mesmas, alguns problemas no que toca ao conceito de "apropriação" de imagens sem creditação de fontes... Ora, parece que esta endemia mnésica começa a afectar alguns autores recentemente adstritos à marca. O caso em causa é o de João Barreiros.
Lê-se, a páginas quarenta e seis do volume Se acordar antes de morrer que a Gailivro-Leya acaba de publicar deste autor:
"O conto [Disney no Céu entre os Dumbos] ficou 20 anos na gaveta. Até ser publicado primeiro online e depois em Espanha, nas Edições Bibliópolis, a fazer companhia à «Verdadeira Guerra dos mundos». (...) Vinte anos de espera até que uma narrativa se torne compreensível aos olhos do mundo? Ser primeiro publicado lá fora do que neste nosso cantinho? Será uma razão para ficar triste ou alegre? Decidam vocês."
E eis como, certamente por contágio, um autor de quem publicámos precisamente (e unicamente) esse conto/noveleta em 2006 omite ou esquece qualquer referência a essa edição (limitada a 200 exemplares, numerados e assinados pelo próprio) quando chamado a escrever sobre ela. Publicação secreta? De todo: o seu lançamento foi bem público, e com testemunhas, no Fórum Fantástico desse ano. Podemos provar ao menos que a edição existe? Dependendo do crédito que os queridos leitores dão à imprensa escrita, a edição foi referida, e se a nossa própria memória não falha (o vírus parece forte), no extinto suplemento "6a" do Diário de Notícias em 2006 e, mais recentemente, no suplemento "TABU" do Sol (neste caso, a imagem que acompanha o post – a da página 51 do suplemento de 22.01.2010 – serve de prova, sendo que a proximidade da foto do autor à reprodução da capa pode, esperamos, ajudar no processo da urgente recuperação). Mas – poderá insistir o mais céptico – o livro chegou a estar à venda? Não só esteve como foi vendido, e continua a sê-lo, tanto pelo nosso site como em livrarias como, por exemplo, aquela que se chama... ai, a memória, esperem... tem nome francês... ah, pois, a Bertrand.
Porque acreditamos no poder vivificante da terapia, estamos decididos a ajudar o autor nessa dura caminhada. Assim sendo, decidimos oferecer gratuitamente em formato PDF a nossa edição de 2006 de Disney no céu entre os Dumbos, esperando que isso possa contribuir para a rápida recuperação de todas as suas capacidades mnésicas. Estará em breve disponível, aí na coluna da esquerda do blogue e no nosso site também.
Addendum: à laia de remate, permitimo-nos transcrever um pequeno parágrafo da (diga-se, excelente) introdução de João Barreiros à nossa edição de Novembro de 2006:
"Mas a verdade é que DISNEY NO CÉU ENTRE OS DUMBOS permaneceu na gaveta, aninhado entre as 'obras malditas'. Até que o publicaram online. E depois em Espanha. E agora, finalmente, em Portugal, vinte anos depois." (Disney no céu entre os Dumbos, Livros de Areia, 2006, p. 7)
Ou seja:
1. Mais de três anos depois, o autor não se lembra da mesma edição de 2006 que reconheceu na própria introdução que escreveu para ela, facto curioso se considerarmos que o texto de introdução ao conto em causa na nova edição da Gailivro parece ser ter sido adaptado desse mesmo texto introdutório que publicámos;
2. A edição online (que, supostamente, e para alguns, a Livros de Areia não tinha "reconhecido" nessa edição) fica reconhecida e fixada pelas palavras do próprio autor publicadas por nós.
João Barreiros é um estimável e original autor que mereceria mais, certamente, do que pequenas editoras como a nossa, merecendo até já uma carreira internacional há alguns anos. Esta pequena atribulação de memória será, cremos, passageira e devida a recentes associações com entidades menos dadas ao culto dos registos do passado e muito adeptas da destruição de edições antigas que possam desvalorizar o produto "novo" no mercado.
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segunda-feira, 8 de março de 2010
Maria como as outras, afinal
A holding Leya (detentora de quase metade do mercado da edição portuguesa) veio reconhecer que a destruição de milhares de exemplares de edições históricas de algumas das suas chncelas foi uma medida "extrema", mas causada pela inexistência de "alternativas". Afinal, a mesma Leya que tomou de assalto a Feira do Livro de Lisboa em 2008, criando medidas de excepção para erigir uma pequena feira-dentro-da-feira, a mesma Leya que anda a comprar (ou a tentar) editoras e livrarias no Brasil, a mesma que parece rir-se dos que ainda se lembram da legislação anti-trust, é, afinal, como todas as outras, como nós até (meu deus, a emoção!), escrava da "falta de alternativas", sem espaço de armazenamento, sem vias de escoamento e valorização de livros procurados de autores de culto.
Recompondo-me do frémito emotivo que me assaltou, desta vaga de empatia pelo pobre Golias, e tendo lido e concordado em parte com o texto de Hugo Xavier sobre o assunto, devo apenas dizer que me parece que a Leya procura uma imagem de excepção e força quando lhe convém, mas que, quando o Miguel Esteves Cardoso os manda "foder" e a Ministra da Cultura pede explicações (ela, cujo ministério, infelizmente, teria de dar também muitas explicações sobre a negligência e o laissez-faire no que toca ao comércio do livro...), se refugia numa imagem de Maria com as outras, e tão Maria como elas. Tratar esta poderosa holding (com capacidade, mas não vontade, de criar alternativas a estas práticas tradicionais) como apenas mais um caso de editores-a-fazerem-o-que-todos-os-outros-editores-fazem é, precisamente, fazer o jogo dela.
(PM)
Recompondo-me do frémito emotivo que me assaltou, desta vaga de empatia pelo pobre Golias, e tendo lido e concordado em parte com o texto de Hugo Xavier sobre o assunto, devo apenas dizer que me parece que a Leya procura uma imagem de excepção e força quando lhe convém, mas que, quando o Miguel Esteves Cardoso os manda "foder" e a Ministra da Cultura pede explicações (ela, cujo ministério, infelizmente, teria de dar também muitas explicações sobre a negligência e o laissez-faire no que toca ao comércio do livro...), se refugia numa imagem de Maria com as outras, e tão Maria como elas. Tratar esta poderosa holding (com capacidade, mas não vontade, de criar alternativas a estas práticas tradicionais) como apenas mais um caso de editores-a-fazerem-o-que-todos-os-outros-editores-fazem é, precisamente, fazer o jogo dela.
(PM)
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Desolação: duas imagens
Duas imagens de livros à venda (ou que já o tinham estado) que registei (ainda que não mecânica ou digitalmente, i.e., não tenho uma foto como testemunho) no início de Dezembro, e que me parecem ilustrar, infelizmente, um aparente fracasso de duas vias alternativas ao comércio de livros tradicional, ou seja, a venda em livrarias de pequena ou grande dimensão.
Na Rua Áurea, os restos da que foi durante uns meses a livraria da Cavalo de Ferro são uma triste prova da impossibilidade de recuperar um modelo "clássico" de comércio de livros: o da livraria de editora. Independentemente das contingências deste projecto em particular (e sobre elas não quero elaborar, nem posso dada a minha ignorância da matéria em causa), mete dó ver livros abandonados como se no momento anterior a um cataclismo em plena Baixa de Lisboa, as capas retorcidas e descoloradas pela exposição ao sol, pó por todo o lado, penumbra ao fundo.
Um dia depois, no corredor subterrâneo de acesso ao edifício principal da Estação de Campanhã. A azáfama dos passageiros que vão para as bilheteiras ou vêm destas para os comboios parece ignorar por completo uma máquina de venda de livros da Leya. A máquina ao lado, que vende guloseimas e bebidas, é disputada por 3 ou 4 miúdos, com uma agressividade que atrai um dos seguranças. Fico com a sensação de que se quisesse vandalizar a máquina da Leya estaria a fazer um favor a alguém, e o máximo que o segurança me perguntaria (se é que dava por isso) seria: "para quê?"
(PM)
Na Rua Áurea, os restos da que foi durante uns meses a livraria da Cavalo de Ferro são uma triste prova da impossibilidade de recuperar um modelo "clássico" de comércio de livros: o da livraria de editora. Independentemente das contingências deste projecto em particular (e sobre elas não quero elaborar, nem posso dada a minha ignorância da matéria em causa), mete dó ver livros abandonados como se no momento anterior a um cataclismo em plena Baixa de Lisboa, as capas retorcidas e descoloradas pela exposição ao sol, pó por todo o lado, penumbra ao fundo.
Um dia depois, no corredor subterrâneo de acesso ao edifício principal da Estação de Campanhã. A azáfama dos passageiros que vão para as bilheteiras ou vêm destas para os comboios parece ignorar por completo uma máquina de venda de livros da Leya. A máquina ao lado, que vende guloseimas e bebidas, é disputada por 3 ou 4 miúdos, com uma agressividade que atrai um dos seguranças. Fico com a sensação de que se quisesse vandalizar a máquina da Leya estaria a fazer um favor a alguém, e o máximo que o segurança me perguntaria (se é que dava por isso) seria: "para quê?"
(PM)
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