"Neste sentido todos os materiais de merchandising, catálogos, newsletters e restantes materiais de marketing foram alterados de acordo com a nova ortografia. Na sequência desta alteração e com o objetivo de assegurar uma uniformização dos conteúdos de forma a que sejamos coerentes na comunicação com os nossos leitores, solicitamos que os materiais de marketing das editoras a colocar nas Livrarias Bertrand sejam enviados de acordo com a nova ortografia." (de email recebido da Bertrand)Apenas uma singela (e absolutamente inocente) pergunta: no contexto dessa "uniformização dos conteúdos", quando vão começar a impedir a venda de livros cuja ortografia não obedece deliberadamente (i.e., por convicção) ao dito "Acordo Ortográfico"?
Mostrar mensagens com a etiqueta Acordo Ortográfico. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Acordo Ortográfico. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
"Somos livros" uniformizados
Etiquetas:
Acordo Ortográfico,
Bertrand
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Onde não há mercado, não há Acordo
(Adaptado de uma troca de opiniões no Facebook com o livreiro Sérgio Lavos)
Como em tudo, eu tendo a guiar-me não tanto pelo que é feito ou proposto (no caso, este Acordo Ortográfico), mas pela forma como é feito ou proposto. E este AO, negociado ainda em pleno cavaquismo, é uma prova da contínua falta de confiança nos referendos, na consulta, no escrutínio da população cuja vida e hábitos serão afectados pelo mesmo (a mesma coisa se passou com a entrada no Euro, com os resultados sabidos...). A questão é a do mercado: um suposto Acordo não vai resolver o simples problema de que entre nós e os outros países de expressão portuguesa, sobretudo o Brasil, não há um mercado cultural (no caso do livro, um mercado com envios postais mais baratos e uniformizados, com baixos impostos para os livros, com abatimento das barreiras alfandegárias, etc). Um mercado em que enviar um livro para o Brasil não custe um terço do seu PVP, obrigando à desistência dos leitores brasileiros interessados (falo por experiência: nunca tivemos um livro nosso recusado por leitores brasileiros pela sua ortografia, mas pelo custo dos portes, ou "fretes", de envio). Tivesse-se primeiro tratado da criação desse mercado da palavra impressa, e eu seria hoje um acérrimo defensor do AO.
Quando, há uns anos (estava eu na onda da ilusão de que se ia conseguir vender alguns livros a conta firme para livrarias brasileiras), um livreiro de uma das melhores livrarias do Rio (que até queria uns livros da Livros de Areia) me disse ao telefone que lhe ficava mais barato e preferia encomendar livros dos Estados Unidos do que de Portugal, fiquei definitivamente "vacinado" contra esta obsessão do AO. Sem resolver essa simples questão (uma editora portuguesa tem livros que quer vender, um livreiro ou leitor brasileiro tem interesse nesses livros, e o que está entre eles impede a satisfação de ambas as partes), receio bem que este Acordo não servirá de nada.
(PM)
Como em tudo, eu tendo a guiar-me não tanto pelo que é feito ou proposto (no caso, este Acordo Ortográfico), mas pela forma como é feito ou proposto. E este AO, negociado ainda em pleno cavaquismo, é uma prova da contínua falta de confiança nos referendos, na consulta, no escrutínio da população cuja vida e hábitos serão afectados pelo mesmo (a mesma coisa se passou com a entrada no Euro, com os resultados sabidos...). A questão é a do mercado: um suposto Acordo não vai resolver o simples problema de que entre nós e os outros países de expressão portuguesa, sobretudo o Brasil, não há um mercado cultural (no caso do livro, um mercado com envios postais mais baratos e uniformizados, com baixos impostos para os livros, com abatimento das barreiras alfandegárias, etc). Um mercado em que enviar um livro para o Brasil não custe um terço do seu PVP, obrigando à desistência dos leitores brasileiros interessados (falo por experiência: nunca tivemos um livro nosso recusado por leitores brasileiros pela sua ortografia, mas pelo custo dos portes, ou "fretes", de envio). Tivesse-se primeiro tratado da criação desse mercado da palavra impressa, e eu seria hoje um acérrimo defensor do AO.
Quando, há uns anos (estava eu na onda da ilusão de que se ia conseguir vender alguns livros a conta firme para livrarias brasileiras), um livreiro de uma das melhores livrarias do Rio (que até queria uns livros da Livros de Areia) me disse ao telefone que lhe ficava mais barato e preferia encomendar livros dos Estados Unidos do que de Portugal, fiquei definitivamente "vacinado" contra esta obsessão do AO. Sem resolver essa simples questão (uma editora portuguesa tem livros que quer vender, um livreiro ou leitor brasileiro tem interesse nesses livros, e o que está entre eles impede a satisfação de ambas as partes), receio bem que este Acordo não servirá de nada.
(PM)
Etiquetas:
Acordo Ortográfico
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Nem mais
"... eu gostaria de lembrar ao Francisco José Viegas que caminhos sem retorno também eram, ou são, o TGV, o aeroporto de Alcochete, a bancarrota, a gripe suína e o declínio do Belenenses. O trabalho de um governante consiste, suponho, em tentar contrariar as desgraças ditas inevitáveis. Aceitá-las de braços caídos tende um bocadinho para o fácil e talvez não justifique o salário. [...] Se o objectivo do Governo eleito fosse torrar fortunas em disparates, a 'implementação' do AO viria a calhar. Sucede que o momento é, ou assim nos garantem, de austeridade, por isso dói ver aumentos de impostos contrabalançados por desperdícios quantitativamente pequenos e simbolicamente desmesurados." (Alberto Gonçalves, in "Diário de Notícias", 03.07.2011)
Etiquetas:
Acordo Ortográfico,
Francisco José Viegas
sexta-feira, 1 de julho de 2011
"Só por aberrante raciocínio"
Da crónica de Vasco Graça Moura no Diário de Notícias de 29.06.11 (e se precisam de explicador ou "diagramas" para perceberem isto, não há Acordo que vos salve...):
"Isto é tanto mais grave quanto é certo que o Acordo Ortográfico não se encontra em vigor. Só por aberrante raciocínio jurídico poderia aceitar-se o contrário, uma vez que o documento não foi ratificado nem por Angola nem por Moçambique, pelo menos. Logo não produz efeitos na ordem interna de nenhum dos oito países subscritores. [...]
Não vale absolutamente nada um protocolo laboriosamente parturejado na CPLP, para forçar os países que não querem acordo nenhum a 'engolirem' o dito, lá porque houve três ratificações.
Esse protocolo também não foi ratificado. E há onze anos que esses países mostram que não querem o acordo. Lembram-se de que, por cá, havia uns responsáveis da Cultura que há uns tempos andavam a anunciar triunfalmente a ratificação iminente dele por Angola e Moçambique? Era já para dali a meia dúzia de dias... [...]
A 'aplicação' do Acordo a que se vem assistindo em Portugal viola nada mais nada menos do que... o próprio Acordo, uma vez que se está a abrir a porta à divergência ortográfica ao abrigo do delirante princípio das facultatividades.
Foge-se à norma por aplicação absolutamente insensível e estúpida da base IV do documento: no Brasil nunca se escreveu aceção, perceção, deceção, receção, espetador, rutura, perentório... Basta consultar um qualquer dicionário brasileiro."
"Isto é tanto mais grave quanto é certo que o Acordo Ortográfico não se encontra em vigor. Só por aberrante raciocínio jurídico poderia aceitar-se o contrário, uma vez que o documento não foi ratificado nem por Angola nem por Moçambique, pelo menos. Logo não produz efeitos na ordem interna de nenhum dos oito países subscritores. [...]
Não vale absolutamente nada um protocolo laboriosamente parturejado na CPLP, para forçar os países que não querem acordo nenhum a 'engolirem' o dito, lá porque houve três ratificações.
Esse protocolo também não foi ratificado. E há onze anos que esses países mostram que não querem o acordo. Lembram-se de que, por cá, havia uns responsáveis da Cultura que há uns tempos andavam a anunciar triunfalmente a ratificação iminente dele por Angola e Moçambique? Era já para dali a meia dúzia de dias... [...]
A 'aplicação' do Acordo a que se vem assistindo em Portugal viola nada mais nada menos do que... o próprio Acordo, uma vez que se está a abrir a porta à divergência ortográfica ao abrigo do delirante princípio das facultatividades.
Foge-se à norma por aplicação absolutamente insensível e estúpida da base IV do documento: no Brasil nunca se escreveu aceção, perceção, deceção, receção, espetador, rutura, perentório... Basta consultar um qualquer dicionário brasileiro."
"Caminho sem retorno"
" 'O acordo ortográfico é uma nova norma do acordo a que se chegou e é para ser implementado. Vamos prosseguir o trabalho de implementação porque é um caminho sem retorno', disse à agência Lusa Francisco José Viegas." (in Sol, 29.06.11)Aparentemente, os poderes concedidos ao novo Secretário de Estado da Cultura não abrangem a marcha-atrás (nem, pelos vistos, a clareza de discurso: "o acordo ortográfico é uma nova norma do acordo a que se chegou"?). Marcha-atrás para onde, perguntarão. Não muito atrás, apenas a Outubro de 2010. Nesse mês, o Partido Social Democrata (pelo qual Francisco José Viegas foi eleito deputado por Bragança e depois empossado como responsável pelos assuntos culturais do XIX Governo) publicou, através do seu Gabinete de Estudos Nacional, um relatório intitulado Cortar na Despesa, compilado a partir de sugestões apresentadas ao partido e consideradas por este relevantes. Ora é precisamente este termo, "relevante", que se usa na página 16 desse relatório para designar a proposta relacionada com o Acordo Ortográfico:
"Outra proposta relevante foi a rejeição do Acordo Ortográfico, de modo a evitar os custos que a sua aplicação imporá ao sector editorial."
Além do adjectivo, o nome "custos" pareceria, agora, em plena governação sob tutela da "troika", poder funcionar como campainha de alerta para um ponderado regresso ao texto deste relatório e uma meia-volta na senda do "Acordo". Mas parece não ser isso que pensa o Secretário de Estado, o qual, a julgar pelas suas próprias palavras, irá decidir com base em retórica vaga e metendo-se em caminhos "sem retorno". Esperemos que não acabe num beco. Sem saída.
Etiquetas:
Acordo Ortográfico,
Governo
Subscrever:
Mensagens (Atom)